O Brasil registrou saldo positivo de 145.161 empregos celetistas criados em junho de 2026, segundo dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 29 de julho. Confira a pesquisa completa aqui.
O resultado, fruto de 2,22 milhões de admissões contra 2,07 milhões de desligamentos ao longo do mês, ficou acima daquilo que o mercado financeiro esperava. De acordo com projeções feitas, a mediana das estimativas apontava para a criação líquida de 110 mil vagas, com um intervalo de 80 mil a 147 mil postos, ou seja, o saldo efetivo praticamente chegou ao teto das projeções. Nesse cenário, o setor de serviços voltou a puxar o crescimento e foi responsável, isoladamente, pela criação de 74.514 vagas, o equivalente a mais da metade (51%) de todo o saldo do mês, além de representar um avanço de 0,3% em comparação ao mesmo período de 2025.

Apesar da leitura positiva em relação às expectativas do mercado, o desempenho de junho ficou bastante aquém do observado um ano antes, quando o país havia gerado 161.999 vagas formais. Na comparação anual, portanto, o saldo atual representa queda de 10,39%, o que faz de junho de 2026 o pior resultado para o mês desde 2020, período em que a pandemia de Covid-19 levou ao fechamento de 53.381 postos de trabalho.
Vale destacar, ainda, que esse resultado interrompeu uma sequência de dois meses seguidos de frustração em relação às expectativas do mercado, já que tanto em abril quanto em maio o Caged havia ficado abaixo da mediana projetada pelos analistas. Esse dado reforça a leitura de que, embora o mercado de trabalho brasileiro continue resiliente, ele também vem dando sinais de desaceleração ao longo do primeiro semestre. Com o resultado de junho, de todo modo, o estoque de vínculos celetistas ativos no país chegou a 48,03 milhões, alta de 0,30% frente ao mês anterior.
Reajustes salariais seguem acima da inflação
Enquanto o mercado de trabalho segue criando vagas, ainda que em ritmo mais moderado do que no ano passado, as negociações coletivas continuam garantindo ganhos reais aos trabalhadores brasileiros. De acordo com levantamento da GRTS Digital, o INPC acumulado até maio ficou em 4,42%, segundo dados do IBGE, e serviu de parâmetro tanto para as convenções quanto para os acordos coletivos fechados no período, que, de modo geral, ficaram acima desse índice.
As convenções coletivas registraram mediana de 5,46%, o que representa um ganho real de 1,04 ponto percentual acima do INPC e mantém a trajetória observada nos últimos meses, depois de um comportamento pontualmente atípico registrado em maio. Nessa mesma linha, o percentual de convenções que superaram a inflação também voltou a se recompor em junho: 93,65% dos instrumentos ficaram acima do INPC, retomando o patamar que já vinha sendo praticado antes da oscilação do mês anterior.

Já os acordos coletivos fechados até 27 de junho apresentaram mediana de 6%, o que equivale a um ganho real de 1,58 ponto percentual acima da inflação acumulada em 12 meses, trazendo uma margem superior à observada nas convenções coletivas do mesmo período.
No recorte mensal, 89,1% dos acordos ficaram acima do INPC em junho, comportamento também alinhado ao padrão verificado nos últimos meses. Assim como ocorre com as convenções, no entanto, a mediana dos acordos tende a recuar conforme novos instrumentos vão sendo registrados: o reajuste com data-base em maio, por exemplo, já caiu de 6% para 5,15%, enquanto o de abril passou de 5,5% para 5,26% nesse mesmo processo de atualização.

Inflação segue fora da meta
No campo da inflação, o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, em 27 de julho, projetou alta de 5,12% para o IPCA acumulado em 2026, patamar que permanece fora do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Esses números significam que, mesmo depois de meses de sucessivas revisões para baixo nas expectativas do mercado ao longo do primeiro semestre, a projeção voltou a se distanciar do centro da meta, o que pressiona a política monetária e, consequentemente, as próprias negociações salariais.
Desemprego recua pelo terceiro trimestre seguido
Por fim, na contramão da desaceleração observada no ritmo de criação de vagas formais, os dados do IBGE, obtidos por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), mostram que a taxa de desemprego segue em trajetória consistente de queda. No trimestre móvel encerrado em junho (abril a junho de 2026), o indicador recuou para 5,4%, ante 6,1% no trimestre anterior, representando a terceira redução consecutiva e um dos patamares mais baixos da série histórica recente.

Esse movimento se reflete diretamente no contingente de desempregados, que somou 5,9 milhões de pessoas, uma queda de 10,9% em relação ao trimestre encerrado em março e de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, e de forma complementar a esse recuo, o total de pessoas ocupadas atingiu 103,1 milhões, alta de 1,1% frente ao trimestre anterior e de 0,7% na comparação anual, o que elevou o nível de ocupação para 58,8%.
A taxa composta de subutilização, indicador que reúne desempregados, subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e força de trabalho potencial, ficou em 12,9%, envolvendo um total de 14,7 milhões de pessoas nessa condição.
Juntos, os indicadores de emprego, reajustes salariais, inflação e desemprego reforçam um cenário em que quatro fatores seguem pressionando as negociações trabalhistas: a política de valorização do salário mínimo, a inflação estável, a geração constante de empregos, corroborada pela alta do PIB, e o desemprego em níveis historicamente baixos.