
Uma pergunta tem aparecido com frequência cada vez maior nas conversas sobre a Reforma Tributária:
Já existem regras contábeis definidas para aplicar o novo sistema tributário?
A resposta, pelo menos neste momento de 2026, é mais simples do que muitos imaginam: ainda não.
Recentemente tivemos a oportunidade de discutir esse tema com o professor Eliseu Martins, uma das maiores referências da contabilidade brasileira, e a conversa trouxe reflexões importantes para empresários, gestores e profissionais da área contábil.
O que percebemos é que existe uma expectativa natural de que a reforma tributária venha acompanhada de um conjunto completo de normas contábeis. Mas a realidade ainda não é essa.
A reforma avançou mais rápido que as orientações contábeis.
A legislação tributária vem sendo construída e regulamentada gradativamente.
Por outro lado, os órgãos responsáveis pelas normas contábeis ainda não emitiram um conjunto específico de regras para tratar dos efeitos da reforma.
Temos observado que tanto o ambiente contábil quanto o próprio mercado ainda estão analisando diversos pontos que dependem da evolução da regulamentação.
Na prática, isso significa que muitas decisões estão sendo tomadas com base nos princípios contábeis já existentes e na interpretação técnica dos profissionais envolvidos.
Não há, neste momento, uma mudança de conceito contábil.
E esse é um ponto importante.
O resultado da empresa continua sendo o mesmo.
Uma percepção equivocada que encontramos com frequência é a ideia de que a reforma tributária irá alterar a essência da contabilidade.
Não é isso que está acontecendo.
A demonstração do resultado continua tendo o mesmo objetivo.
O balanço continua tendo o mesmo objetivo.
Os usuários das demonstrações financeiras continuam sendo os mesmos.
O que muda é a forma como determinadas operações precisarão ser controladas e evidenciadas.
Em outras palavras: a contabilidade não muda sua finalidade, mas alguns processos internos certamente precisarão mudar.
A contabilidade existe para o gestor — e não apenas para o fisco.
Talvez uma das reflexões mais relevantes dessa discussão seja justamente essa.
Durante muitos anos, especialmente em empresas menores e médias, a contabilidade acabou sendo vista apenas como uma obrigação fiscal.
Mas a sua função sempre foi muito maior.
Quem toma decisão precisa de informação.
Quem investe precisa de informação.
Quem administra caixa, margem e rentabilidade precisa de informação.
Temos reforçado isso constantemente aos nossos clientes.
A reforma tributária cria novos desafios operacionais, mas também abre espaço para que a contabilidade volte a ocupar um papel mais estratégico dentro das organizações.
O Split Payment merece atenção desde agora.
Entre os diversos temas debatidos atualmente, poucos chamam tanta atenção quanto o chamado split payment.
Embora sua implementação completa ainda dependa do cronograma da reforma, os impactos operacionais já começam a ser estudados pelas empresas.
O impacto não está apenas no imposto. Está também no caixa, nos controles e na gestão financeira.
Novos controles contábeis serão necessários.
As empresas precisarão de controles mais robustos, mais rastreabilidade e maior integração entre as áreas fiscal, financeira e contábil.
A orientação atual é começar essa preparação antes que a obrigatoriedade esteja totalmente implementada.
Por Reynaldo Lima Jr.
Presidente Eleito da FENACON
Gestão 2026-2030