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Uma em cada quatro MPEs está vulnerável a golpes digitais

2 de março de 2026 Publicado por Fernando Olivan - Comunicação Fenacon
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Pesquisa da Opinion Box encomendada pela Fiserv revela que 22% das microempresas e empresas de pequeno porte não adotam medidas internas de segurança

Freepik

Apesar dos golpes e fraudes financeiras contra empresas serem cada vez mais frequentes no Brasil devido aos avanços tecnológicos, 22% das microempresas e empresas de pequeno porte ainda não possuem nenhuma medida interna de segurança, deixando a ação de proteção apenas sob responsabilidade dos meios de pagamentos utilizados. Foi o que revelou a pesquisa da Opinion Box, encomendada pela Fiserv, empresa especializada em meios de pagamento.

Realizada com 322 responsáveis por microempresas e empresas de pequeno porte do setor de serviços, comércio atacadista e comércio varejista, a pesquisa revelou que o meio de segurança mais utilizado é o backup das informações, representando 30% das respostas, enquanto apenas 27% determinam controles de níveis de acesso a seus sistemas pelos funcionários e colaboradores. A criptografia de dados sensíveis e firewalls são usados por 25% dos entrevistados.

“O backup de dados não deve ser entendido como uma solução de segurança. Sua função principal é preservar informações e registros, garantindo sua recuperação em caso de perda. No entanto, o backup não impede ações de fraudadores, não evita invasões aos sistemas e tampouco protege o varejista de falhas operacionais ou problemas de conectividade”, explica Elísio Pereira, vice-presidente de tecnologia da Fiserv Latam.

Segundo ele, para fortalecer a resiliência do negócio, é fundamental que o varejo adote um ecossistema completo de soluções de segurança. “Hoje, os meios de pagamento já oferecem importantes camadas de proteção, como criptografia, firewall e 3DS, que asseguram a integridade das transações.”

Porém, essas medidas, embora essenciais, não são suficientes isoladamente para garantir a segurança de toda a operação, afirma. “O setor precisa evoluir para modelos integrados de proteção, capazes de oferecer cobertura ampla, contínua e alinhada às crescentes demandas do ambiente digital.”

uma em cada quatro empresas não possui estrutura de segurança digital – o que acende um alerta sobre a vulnerabilidade dos dados de clientes e da própria operação diante da ação de cibercriminosos. Por outro lado, 35% afirmam contar com soluções internas para lidar com a segurança digital, enquanto 24% contam com parceiros específicos e externos para gestão de segurança

Entre as regiões de destaque, 41% das empresas do Norte contam com parceiros específicos e externos para gestão de segurança. No Sudeste, 26% das empresas não possuem gestão estruturada de segurança digital, enquanto no Sul 37% têm soluções internas, enquanto no Centro-Oeste, 39% têm soluções internas para lidar com a segurança digital.

Do ponto de vista do consumidor, 76% dos 2.018 entrevistados afirmam que a segurança das informações pessoais e financeiras é um fator determinante tanto na loja física como online. A preocupação predomina entre mulheres (48%) e pessoas acima dos 30 anos.

Dinheiro físico acabou?

Em relação aos meios de pagamento, os mais utilizados pelos consumidores são: cartão de crédito (56%), PIX por chave (51%), pix por QR Code (35%) e cartão de débito (34%).

Segundo Rodrigo Climaco, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Fiserv no Brasil, o pix por QR Code é uma das modalidades com maior potencial de crescimento no mercado brasileiro. Isso porque transmite mais segurança tanto ao varejista quanto ao cliente, já que não há intermediador no momento da transação, diferentemente do pix por meio de chave.

Os métodos de pagamentos mais modernos, como Click to Pay, não são aceitos por 36% dos estabelecimentos, enquanto o BNPL (sigal em inglês para compre agora, pague mais tarder) não é aceito por 55%, demonstrando que ainda possuem baixa adesão do varejo brasileiro. A carteira digital, que cresceu na pandemia, não é aceita por 45% dos estabelecimentos.

Entre os motivos para não aceitarem esses meios de pagamento está o custo de adesão e taxas (26%), além da insegurança para lidar com possíveis golpes e/ou estornos de valores (25%). Clímaco explica que, diferentemente do dinheiro, em que os estabelecimentos tinham apenas que verificar se a nota era verdadeira, sem pagar taxas para intermediadores, esses meios de pagamento exigem certo investimento – o que se torna um impeditivo especialmente para negócios menores.

Quanto a aceitar dinheiro em espécie, ou cheques, 18% das empresas não recebem mais pagamentos dessa forma. Já 32% aceitam dinheiro e cheques ocasionalmente, mas preferem receber pelo digital, e 28% priorizam pagamentos digitais.

Preferências do consumidor

Outra parte da pesquisa, que buscou entender as motivações do consumidor no momento da compra, mostrou que tanto o público feminino quanto o masculino preferem comprar em lojas online.

Dos 2.018 entrevistados, 54% afirmaram preferir a loja online. Dentro desse grupo, 48% apontam a praticidade como principal motivo; 47% destacam a comodidade, como receber o produto em casa; e outros 47% mencionam a possibilidade de encontrar melhores preços e ofertas.

Apenas 17% dos entrevistados afirmaram preferir comprar em lojas físicas. Entre esse grupo, 41% apontam a possibilidade de experimentar o produto como principal motivo. 38% destacam a chance de levá-lo imediatamente e 29% mencionam a sensação de maior segurança contra golpes e fraudes.

Em relação à percepção de descontos, 96% dos entrevistados acreditam que as promoções são mais comuns nas lojas online, o que faz com que e-commerces, redes sociais e sites sejam os canais preferidos de quem está em busca de ofertas.

Esse é um dos principais fatores que afastam os consumidores das lojas físicas, segundo a pesquisa, já que 56% afirmam saber que o mesmo produto costuma ser mais barato no ambiente online. 

Quando analisado o recorte por classe socioeconômica, essa percepção tem maior impacto entre os consumidores das classes AB (64%) e C (61%) do que entre os da classe DE (48%). Outros fatores também contribuem para afastar os consumidores das lojas físicas, como filas longas (42%), acesso complicado e dificuldade para estacionar (30%).

Segundo Clímaco, a disponibilização de totens de autoatendimento e a possibilidade de utilizar cupons online diretamente no caixa podem ser soluções eficazes para atrair esses consumidores de volta ao ponto de venda físico.

Já em relação à loja online, o frete caro (61%) e os prazos muito longos para entrega (35%) aparecem como os principais fatores de desestímulo às compras online. O impacto é maior entre os consumidores das classes A e B (70%). Além disso, 29% apontam a exigência de um valor mínimo para obter frete grátis como um obstáculo. Segundo a pesquisa, 84% dos entrevistados já desistiram de uma compra por causa do custo do frete.

O levantamento também mostra que a quase totalidade dos consumidores passa a buscar o mesmo produto em outra empresa na tentativa de encontrar melhores condições de entrega. As pessoas de 30 a 49 anos são as que mais adotam esse comportamento (87%), seguidas pelo público com 50 anos ou mais (86%).

Além disso, 75% dos entrevistados afirmam já ter desistido de uma compra porque o estabelecimento não aceitava o meio de pagamento desejado, especialmente quando se refere a PIX e cartão de crédito. Os jovens de 18 a 24 anos são os que mais fazem questão do meio de pagamento: 45% desistem da compra se não for possível pagar por meio do pix.

Fonte: Diário do Comércio

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