Postado em 13/03/2018 - Fonte: DCI - SP

O quebra-cabeça da produtividade

Pequenas empresas precisam se adaptar à mudança no mundo dos negócios

JORGE SANTOS CARNEIRO

Ser dono do próprio negócio é o sonho de muita gente. E a empreitada pode até parecer fácil para quem olha de fora: fazer o que gosta, tomar suas próprias decisões e, de quebra, aumentar a renda mensal.

A realidade para a maioria dos donos de pequenas empresas, contudo, é bem diferente.

Manter um negócio sustentável a longo prazo – seja uma padaria ou uma loja de carros importados – exige muito mais do que ter uma boa ideia, entender o mercado de atuação e até mesmo contar com recursos financeiros para aplicar no investimento.

No Brasil, mais da metade das empresas fecham as portas nos cinco primeiros anos de funcionamento, mostra um estudo divulgado no final do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Um dos principais responsáveis por esse cenário é a burocracia, um problema que induz a erros, atrapalha a regularização do negócio e provoca, acima de tudo, a perda de produtividade.

De acordo com levantamento divulgado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas, o Brasil é um dos piores colocados em um ranking global de produtividade – ocupa o 50º lugar entre 68 países.

Na Alemanha, quarta melhor colocada, cada empregado produz US$ 64,40, quantia quatro vezes superior à média do brasileiro (US$ 16,80), que trabalha anualmente 340 horas a mais que os alemães.

Para se ter uma ideia, estamos ainda nos primeiros meses de 2018 e as micro, pequenas e médias empresas já consumiram mais de 3 dias de trabalho dedicados com tarefas administrativas alheias ao seu core business.

Isso equivale a custos de produtividade de aproximadamente R$ 15 bilhões ao longo dos primeiros meses de 2018, segundo o Termômetro de Produtividade da Sage.

Em um ano, as pequenas empresas brasileiras gastam em média 135 dias declarando impostos, efetuando pagamentos e emitindo notas fiscais, o que gera um custo de quase R$ 80 bilhões. Proporcionar tempo livre aos empreendedores, que são considerados os heróis da economia global, deve ser uma prioridade para os governos em todo o mundo.

É surpreendente que, apesar dos incríveis avanços tecnológicos do século 21, os empreendedores ainda estejam sobrecarregados com tarefas manuais, que podem ser feitas com maior rapidez e eficiência quando digitalizadas.

Além de devolver tempo e dinheiro a essas empresas, o estímulo à produtividade contribui para o crescimento mais rápido e de forma duradoura da economia.

Mais importante ainda é observar como a tecnologia contribui para equilibrar a gestão da rotina do empreendedor – que precisa de horas livres para desenvolver novos produtos e serviços, conhecer melhor o seu cliente ou passar mais tempo com a sua família.

Nesse sentido, é preciso que haja um esforço conjunto entre os governos municipais, estaduais e nacional para facilitar a transição do analógico para o digital, com medidas de incentivo à inovação para as micro, pequemas e médias empresas (MPMEs).

Diante desse cenário, é impossível ignorar que o mundo dos negócios está se transformando. É preciso colaborar para que as pequenas empresas estejam prontas para se adaptar às mudanças e implementar as melhores soluções nos seus negócios.

E isso é pra já!

jorge.carneiro@sage.com

 

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