Postado em 10/05/2017 - Fonte: DCI - SP - Por: Raphael Ferreira

Empresa estimula mães a criarem negócios próprios

B2Mamy acelera projetos de profissionais que deixaram seus empregos para empreenderem em troca de mais qualidade de vida e tempo para os filhos

São Paulo - Mostrar a opção de empreender para as mulheres que não sabem que rumo tomar depois de sair do trabalho por conta da maternidade. Essa é a função de algumas empreendedoras que viveram essa experiência, como é o caso de Dani Junco.

Ela engravidou quando era CEO de uma agência de marketing. Não precisou de muitos meses para perceber que não seria fácil dividir seu tempo entre profissão e cuidados com a filha. Decidiu empreender, no caso com o objetivo de estimular outras mães a seguirem o seu exemplo. Para isso, criou a B2Mamy.

Dani somou a experiência que adquiriu no programa 10 mil mulheres, iniciativa global representada no Brasil pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e o banco Goldman Sachs, com os relatos que apurou em redes sociais de outras profissionais e decidiu montar seu negócio. "Mostramos para as mulheres a opção de empreender, já que a volta para o mercado de trabalho é difícil", diz.

Em 11 meses, a empresa já reuniu mais de 200 mulheres em seus 12 eventos. Em um dia, as participantes são apresentadas a mães que criaram suas empresas e foram bem sucedidas nessa transição de funcionária para empresária.

Além do estímulo à saída do mercado de trabalho, a empresa acelera os negócios das empreendedoras mães. A abordagem, porém, é diferente das aceleradoras tradicionais, que buscam criar negócios gigantes e têm foco apenas nas startups com esse potencial. "Se ela quer crescer em uma cidade pequena, por exemplo, tudo bem. Nosso foco é na rentabilidade", destaca Dani.

Com base em pesquisa da Catho, o serviço da B2Mamy tem potencial de atender mais da metade das profissionais que engravidam. Isso porque 53% das trabalhadoras abandonam seus empregos para cuidar dos filhos. Deste grupo, 18% não conseguem retornar ao mercado de trabalho.

Uma iniciativa semelhante é o Mãe At Work, que apresenta às empresas os motivos para não perder esse tipo de profissional. Responsável pelo projeto, Cinthia Dalpino presta consultoria para as companhias criarem políticas de retenção de talentos que se tornaram mães. Quando teve sua filha, em 2000, Cinthia tentou voltar a trabalhar, mas não conseguiu conciliar com a atividade materna. "Passei a ter muitas saudades e me preocupava com minha filha, que ficava na creche. Tentei me acostumar e não consegui."

Ela cita como exemplo a multinacional Unilever, que tem instalado um berçário em uma de suas unidades brasileiras e mantém política mundial para pais e mães com flexibilização da carga horária.

A coordenadora de desenvolvimento organizacional da companhia, Bárbara Galvão, revela que esse é um dos diferenciais para os pais. "Atendemos toda a demanda de 0 a 2 anos. É um espaço de educação, mas os pais podem entrar e brincar com as crianças", diz. O projeto está nos planos da sede chinesa da empresa.

Segundo Bárbara, esse tipo de ação é importante não só para reter talentos, como para atrair profissionais. "Aqui não há a dicotomia entre trabalhar e cuidar do filho", afirma.

Cultura

A professora de gestão de pessoas Sônia Helena, que ministra aulas na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), cita a questão cultural como um entrave para a manutenção das mulheres no mercado de trabalho. "Culturalmente o pai é o provedor e a mãe é a dona de casa", diz.

No entanto, a acadêmica orienta que o casal discuta sobre as novas tarefas da família para integrar mais a figura paterna no desenvolvimento das crianças. "Quando houver uma consciência maior que o filho é do casal e não só da mulher, o cenário pode mudar."

Esta seria uma saída para evitar que as mulheres continuem cada vez mais preferindo uma gravidez tardia, tudo para não sair do mercado de trabalho. "Até pela necessidade de permanecer no emprego, já que o filho pode dificultar."

Raphael Ferreira

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