Postado em 10/01/2019 - Fonte: DCI - SP

Concorrência bancária se acirrará em crédito para pequenas empresas

As sinalizações dadas pelos novos presidentes dos três maiores bancos públicos do País são de que tanto os financiamento às PMEs, como todas as linhas da carteira terão maior competição

ISABELA BOLZANI 

A concorrência para concessões às pequenas e médias empresas se acirrará em 2019. Apesar da expectativa de queda dos juros e da possível redução das carteiras dos bancos privados, as medidas demorarão de seis meses a um ano para se tornarem concretas.

Muito da mudança esperada para o cenário bancário vem da afirmação feita pelo novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de que a instituição vai focar cada vez mais em empresas de médio porte.

Segundo o professor do curso de economia da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP) Johnny Mendes, a sinalização é tanto de maior competição com os bancos privados, como de uma mudança no mercado de crédito. “Grandes empresas passarão a buscar o mercado de capitais e o direcionamento dos empréstimos acabará indo para as pequenas e médias companhias”.

A dificuldade das PMEs em captar recursos no sistema bancário, no entanto, acaba sendo um forte obstáculo para o aumento no volume de concessões do mercado.

“O aumento da competitividade é positivo, principalmente porque alguns mercados que eram restritos – ou tabelados mais baixos pelos bancos públicos – serão abertos. Mas o tipo de operação e o rating da empresa ainda devem limitar muito das concessões às PMEs”, afirma o coordenador da Fundação Fipecafi Estevão Garcia de Oliveira Alexandre.

Redução de carteiras

Nesse cenário de maior competição generalizada, os especialistas ponderam que a carteira dos bancos privados pode diminuir, mas que a tendência é de uma maior diversificação de produtos nas carteiras das grandes instituições.

“Bancos públicos e privados vão concorrer em todas as linhas com juros mais semelhantes aos praticados pelo mercado. O problema é que não é fácil direcionar o crédito de uma hora pra outra e com todo mundo atuando em todos os lugares, a perda de carteira pode ser uma verdade para todos os players”, afirmou o coordenador de projetos de finanças e banking da Fundação Instituto de Administração (FIA) Roy Martelanc.

O próprio Bradesco, por exemplo, afirmou considerar o crédito imobiliário (o maior foco da Caixa) como uma linha “estratégica” para 2019. “Temos taxas competitivas e estamos atentos às oportunidades de mercado, uma vez que dispomos de funding, tecnologia e foco para continuar entre os principais players”, informou a instituição por meio de sua assessoria de imprensa.

Para a especialista em banking da Universidade Presbiteriana Mackenzie Thaís Cíntia Cárnio, esse movimento de competição impactará não somente o volume de concessões e as carteiras nos bancos, mas também as taxas de juros. “Já temos declarações claras que os juros bancários estão muito altos. É capaz de vermos uma movimentação no sentido de dar um novo ar ao mercado financeiro com revisão de taxas”, avaliou a especialista.

Segundo o diretor sênior de instituições financeiras da Fitch Ratings, Claudio Gallina, o guidance dos bancos grandes estão bastante positivos, mas há um “otimismo cauteloso”. “Trabalhamos com crescimento de 11% do crédito em 2019. Mas para que haja a redução do spread bancário ainda existem várias frentes que precisam ser melhor estudadas. Essas mudanças demoram um pouco para se materializarem, e algo efetivo só deve vir de seis meses a um ano”, conclui.

 

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