Postado em 03/09/2018 - Fonte: Sincovat - Por: JULIAN KOBER

13º Seminário Sincovat reúne cerca de 700 pessoas

SESCON-RS apoiou o evento, realizado em Lajeado/RS

Lajeado - A importância da educação na transformação da sociedade atual foi o mote das palestras do 13º Seminário Sincovat, realizado ontem no Teatro Univates. O evento promovido pelo Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Taquari (Sincovat) e Associação das Empresas de Serviços Contábeis do Vale do Taquari (Aescon) contou com um público de cerca de 700 pessoas. A presidente do Sincovat, Cintia Fortes, ressaltou a iniciativa, um dia dedicado ao conhecimento e à reflexão. "Se estamos aqui é porque acreditamos no poder transformador da educação. É por meio dela que nos tornamos pessoas de bem, sábios, inteligentes, críticos e mais felizes." Autoridades presentes, entre as quais o presidente da Aescon Claudir Kuhn; vice-presidente de Relações Institucionais do CRCRS Celso Luft; presidente do Sescon-RS Celio Levansdowski; e presidente da Federacon RS, Glicério Bergesch. O coordenador do seminário, Rodrigo Kich, agradeceu ao público e a satisfação por mais essa edição do evento.

Em sintonia com o tema "A ação maior da educação é despertar valores internos", a programação contou com participações especiais da Orquestra Jovem de Teutônia, grupo de ballet da Fundação Ângelo Bozetto e Orquestra Infantil Recanto Maestro. Em momento de homenagens, o profissional José Cláudio Buzatta recebeu a distinção Contador Emérito Sincovat 2018, como agradecimento do seu empenho à classe; e a Univates, que representada pelo vice-reitor Carlos Cyrne recebeu a láurea Contador Olívio Kolliver.

Renato Opertti, sociólogo e mestre em Educação

Valores, humanidade e oportunidades acerca da educação foram os principais tópicos da palestra do sociólogo Renato Opertti, que atua na Unesco, na Suíça. Ele aponta dois aspectos: para reconhecer o valor e a importância para que uma sociedade prospere, tenha níveis de inclusão, de justiça, de competitividade e de recursos humanos, necessita de educação. "Não há país no mundo que possa ter essas características sem uma educação de base de qualidade. É importante entender que uma sociedade que tem progresso, há um componente de educação pensado", explica. Há um segundo ponto, que são as aceleradas mudanças do mundo - separatórias e impactantes. "Às vezes, elas são tão profundas que afetam a vida de todos e a educação precisa adaptar-se a esse momento. A missão da educação também é, por exemplo, pensar um futuro sustentável para nossos filhos. A educação historicamente foi pensada sempre como a adaptação dos tempos, mas é mais que isso, ela tem a capacidade de forjar um futuro que é incerto e acelerado." Ele afirma ainda que hoje 70% das crianças que estão nas escolas pelo mundo vão trabalhar em atividades que ainda não existem. "E a pergunta é: como vão adaptar-se a sociedade de hoje? Como vamos pensar na educação deles se ainda não sabemos o que vão fazer? Mas, sabemos que há certas coisas que eles terão que saber como espírito crítico, capacidade de comunicação, empatia, trabalho em equipe e iniciativa. A mudança educativa que existe não é apenas relacionada ao conteúdo de informação, mas reescrever a educação. Teremos que ter uma forte determinação para pensar como a educação desse mundo pode ser uma diferença e uma oportunidade de vida para as crianças. A educação deve ser a discussão central de um país e qual a educação que queremos e para qual sociedade. Por isso, é muito importante dar às crianças e jovens as ferramentas para que possam tomar decisões fundadas e responsáveis para suas vidas no futuro. A vida individual e a vida coletiva."

Pedro Calabrez, professor e neurocientista

O neurocientista destaca a necessidade de educar a mente para uma vida mais saudável. Associa a saúde psicológica ao cuidado com o corpo, no que diz respeito ao cuidado com os alimentos e a realização de exercícios físicos. "Os dois estão interligados. Não adianta você você cuidar de um se ignora o outro." Pedro Calabrez afirma que existem elementos que ajudam a compor uma mente saudável. Para ele, a felicidade é um fator fundamental, que não se limita aos momentos alegres. "Muita gente acha que é só isso, mas não é. Trata-se de um elemento importante, mas não é o único", afirma. Outro fator é a qualidade das relações, não só na esfera familiar, mas também no ambiente de trabalho, que implica no sucesso econômico de uma empresa. A busca por um propósito é outro elemento fundamental do ponto de vista psicológico. "Há uma sensação de felicidade quando você sente que pertence a algo que é maior e mais importante que você." Ele também ressalta a necessidade de ter metas e perseguir as conquistas, especialmente em um mundo onde muitos vivem a filosofia de "viver só o agora". "Isso não existe. Nós temos um cérebro que pensa sobre o futuro e é importante para a nossa saúde mental ter metas para a gente perseguir." Calabrez concluiu a palestra destacando a importância de equilibrar estes elementos e ter a capacidade de apreciar o que está na nossa frente. "Não é simplesmente ignorar o futuro ou o passado. Ter objetivos lá na frente, orgulhar-se do que passou e deitar a cabeça no travesseiro com a tranquilidade de que hoje a gente fez o máximo para chegar lá."

Margherita Carotenuto, doutora em filosofia, psicóloga e escritora

Com um resgate histórico de vários países do mundo, a psicoterapeuta italiana e doutora em Filosofia, Margherita Carotenuto, afirmou que o homem não é um produto casual da evolução, mas um projeto inconsciente capaz de incorporar valores por meio da educação. Para a palestrante, antes de decidir como educar um homem é preciso saber como ele realmente é. Segundo Margherita, a educação é indispensável. "Porque o homem se nasce, mas humano se torna através dela." A realidade brasileira também foi abordada com elogios ao trabalho da Base Nacional Comum Curricular no Brasil, no sentido de buscar elementos como uma sociedade mais justa e voltada para a preservação da natureza. A profissional ainda citou questões negativas que influenciam, como assistencialismo, não dar o tempo ao indivíduo de desenvolver a sua capacidade de resolver os problemas, depressão e medo. Por fim, concluiu que existe "um projeto homem" e pediu que se estimule essa ideia. "Nas crianças, isso apenas precisa ser facilitado porque elas já nascem prontas para fazer o melhor, e nos adultos isso deve ser recuperado, compreendendo quem se é e o que pode fazer na sociedade em que vive."

Tiago Rocha, biólogo e naturoterapeuta

Em uma apresentação descontraída, o biólogo e naturoterapeuta Tiago Rocha lista os piores e os melhores alimentos do mundo. Apesar do tom humorado, o palestrante ressalta os riscos de alguns ingredientes que fazem parte do cardápio dos brasileiros. "A qualquer momento, você pode comer um alimento que pode gerar uma doença que pode mudar sua vida para sempre e até te levar à morte." Entre os mais letais estão os que utilizam o óleo de cozinha, desde a batata frita e o chips, que são altamente cancerígenos. Rocha também não poupa críticas ao açúcar refinado, que considera a droga mais perigosa e mais viciante que a cocaína, heroína e o crack. "Uma pessoa deveria consumir até dez quilos de açúcar por ano. Mas nós, brasileiros, consumimos uma média de 54 quilos. E a gente faz isso sem saber." De acordo com o palestrante, os alimentos que mais utilizam o ingrediente estão o suco em pó, bolacha salgada, bolacha recheada, o refrigerante e a cerveja. "Eu sei que muita gente não gosta de ouvir isso. Mas o consumo em excesso do açúcar é altamente letal", alerta Rocha. Ao final da palestra, o biólogo deu dicas de alimentos saudáveis. Para ele, a melhor é a banana, que possui uma série de nutrientes que podem ajudar a combater a depressão e a intolerância à lactose. Ele também cita a maçã, o suco de uva, água de coco, pepino, ovo e o sal do himalaia, que ajudam a prevenir diversas doenças. "São escolhas determinantes. Mas é importante entender que a comida determina a qualidade de vida."

 

Na foto, o Presidente do SESCON-RS com a Presidente do Sincovat, Cíntia Fortes, o Vice-Presidente, Rodrigo Kich e o Vice-Presidente do CRCRS, Celso Luft.

 

 

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